Medo de chegar

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 |

Algo em mim sempre quer ficar, não importa onde eu esteja, nem para onde vou. Se estou viajando não quero voltar a minha casa, tenho medo de sentir saudades do lugar recém-conhecido, se estou em casa não quero conhecer novos lugares, ventos fortes, outros sóis, quero meu céu mineiro.

E quando estou viajando, entre o passado e o futuro, na via do trem, na linha do metrô, nas pistas imaginárias do avião, eu não espero pela parada, pela chegada, torço pra ficar ali pra sempre, vendo as casas correrem pela janela, o silêncio dos passageiros, ou o choro agudo do bebê na poltrona ao lado.

Foto: Lílian Alcântara
E mais uma vez me dói sair de casa, enfrentar uma fila de embarque, subir as escadas do avião e subir lá no céu que eu tanto admiro daqui de baixo. Será que poderei passar por cima das estrelas? Guardar uma pra me lembrar de mais essa trajetória? Talvez.

Não tenho o menor medo de morrer viajando, se eu pudesse escolher provavelmente morreria assim, feliz, viajando, contemplando as luzes da cidade, ouvindo alguma voz rouca no fone de ouvido, com o estômago gelado de medo de chegar. Cada vez que compro uma passagem penso se é a última, se nessa fico pelo caminho. Nunca tive medo de viajar e não chegar, meu maior medo sempre foi de como será quando chegar.

E chove!

2 comentários:

Cristina Maria disse...

Eu quero um autógrafo!

Remisson disse...

Encantadora crônica, Lílian, como igualmente encantadores são todos os textos do teu blog. Tomei a liberdade de enriquecer as páginas do meu Blog Nosso mundo (http://www.nossomundo.bligoo.com.br)com uma belíssima crônica tua (Medo de chegar)e espero ter a honra da tua visita. Se for do teu gosto, faz tua inscrição e escreve de vez em quando, para alegria dos nossos leitores. Um abraço deste teu novo leitor e admirador. Que tenhas um fim de semana pleno de sol e alegria.
Remisson Aniceto

Eis o link para a tua crônica:

http://nossomundo.bligoo.com.br/content/view/1472179