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quinta-feira, 30 de julho de 2015 |

"verbos loucos
a vida de cada um é poucos
eu sempre tô na média
a vida quando não é drama é comédia
e de rimas fáceis
narro meu presente
meu passado é minha base
e o futuro é esse tempo sempre ausente" (Mc P.H. - mais uma do diário dele)


só quando sozinha eu tenho coragem de ser eu

domingo, 23 de novembro de 2014 |

as pernas abertas
ali no alto da montanha
de um jeito estranho
como se o mundo saisse
das minhas entranhas
o vento era meu
o mar inteiro era meu
não tinha nada que não fosse meu
Lílian mãe de Gaia
e bastou cruzar as pernas
para descer do pedestal
e voltar a não se ninguém
naquela imensidão

un lugar en el mundo

terça-feira, 11 de novembro de 2014 |



No sé por qué vuelvo. No tiene mucho sentido volver después de ocho años, o casi nueve. Volver a un lugar que ya no existe. Sigo haciendo cosas sin pensarlo demasiado, sin medir las consecuencias. Más o menos como vos. Las leyes de la genética no fallan, diría mamá. Cuando le dije que me venía, me miró como si estuviera enfermo. Deformación profesional, supongo. Pero no hizo preguntas. Entendió menos cuando le dije que volvía mañana, que ni siquiera me iba a quedar una noche. Entendió menos o entendió todo. Con la vieja nunca se sabe. ¿Para qué voy a gastar guita en hotel? El micro llega por la mañana temprano y se va a las diez de la noche. Tengo doce horas de viaje hasta Buenos Aires para apolillar, y casi todo el día para pegar allí unos cuantos kilómetros, y tratar de saber por qué vine. (...)

Me gustaría que me dijeras cómo hace uno para saber cuál es su lugar. Yo por ahora no lo tengo. Supongo que me voy a dar cuenta cuando esté en un lugar y no me pueda ir. Supongo que es así. Ya va a aparecer. Todavía tengo tiempo de encontrarlo.

Que lugar é este que seguimos procurando, quando estamos exatamente onde escolhemos estar, praticando o que pretendíamos praticar, ainda não resta nenhuma vontade a ser cumprida e o erro é este, mas ainda falta algo muito sério, quando temos o que queremos na mão, estamos no lugar exato, mas uma força "da obrigação" se impõe sobre nossos ombros. 

Cumplencrise

sábado, 18 de outubro de 2014 |

Estou enlouquecendo!
Há meias por toda a casa
Aos pares!
Mal chegado o inverno no Sul
Encontro abandonados,
perdidos ou esquecidos
Meias verdades
Pés esquerdos desaparecidos
Com a meia idade
Mentiras que movem a verdade
Espalhados como meias
Que se perdem quando postas para lavar
Não sei hoje,
Se vivi ou se menti mais vezes
Enlouqueço aos poucos
Às metades

(27-06-2014)

Quando o nada

segunda-feira, 26 de novembro de 2012 |

Escrevo-te cartas cotidianas, encharcadas de saudades, ódio, amor e poesia. Escrevo poesias que falam de você, da saudade, das árvores e do calor. Sinto calor. Escrevo versos, crônicas, críticas, dissertações, teses, diários, descrições, narrativas e introspectivas. Escrevo, me inscrevo, envio, recebo, apago e-mails e adio compromissos.

Lílian Alcântara, 2012


Esqueço a garrafa de café destampada e respiro o vapor, injetando cafeína em meus pulmões. Apreensiva por resultados já não durmo, não acordo. Sem manhãs nem noites me espreguiço, espicho, não quero, tenho medo, o medo é irmão da ansiedade. Anseio por resultados, tenho medo deles, bebo o café frio, leio todas as cartas que não respondo.

Vejo fotos na parede, não lembro se sou eu, se ele, ela ou alguém. Um modelo de porta-retratos, talvez. A cena de um filme? Não se sabe. Por aqui já não há realidade, ninguém bate a porta, cortaram a luz, a água e o telefone. Há três dias como pão mofado, não vou sair, não quero ver o lá fora.

Inscrevo, descrevo, me cravo. O café anda meio forte. Imagens, imagens, imagens. É preciso esconder todas, tapar os olhos, ver o negro, a cor do completo, o pronto, o prato feito. Nada de luz, cores, raios ultra-violetas e infra-vermelhos, nada de claro-escuro, planos, preenchimento, luz, contra-luz. Nada. A vida não é cinema. É só um escuro, ou um branco. Não sei se é absorção total ou o contrário, o oposto, o inverso o disperso.

Despeço.
Dispenso o final.

Ode aos Insetos

terça-feira, 16 de outubro de 2012 |

De criança eu queria ser inseto, seguia fila de formiga, tirava o néctar com as abelhas, subia pelas paredes atrás de tatu-bola, ficava caladinha com as joaninhas, prestava atenção no tempo com louva-deus. Abaixava a cabeça lentamente pra ver o mosquito de perto, andava pela terra observando onde pisava, pra não matar ninguém. Também gostava das aranhas, da taruíras e dos gnomos de jardim.



Foto: Lílian Alcântara, 2012. 

Subia em árvore, me trepava galhos acima pra ver os humanos lá de cima, como vemos os insetos, queria que todo mundo fosse inseto. E conversava com o bicho da goiaba, aprendi a assoviar pra chamar passarinho. Também aprendi a tocar boi, colocar comida para os carneiros, debulhar milho para galinha, tirar o ovo do ninho e colocar na lata.

Era preciso andar como se não tivesse pés para não assustar as rãs e seguir seus gritos, jogar luz no olho e friamente fisgá-las. O perigo era a rã pimenta, não pode encostar que faz a mão arder. E para pescar na beira do rio, com vara de bambuí não pode colocar chumbo pesado que no fundo só tem bagre, com gosto de barro, anzol pequenininho pra pegar lambari.

De criança eu queria ser inseto, pousar em cima da água e olhar pra dentro, aprender como os peixes nadam. Descobri que a barata corre pro lado do barulho e as bruxas não saem do lugar se não são tocadas. Os pombos têm piolho, as minhocas correm pros dois lados, cobra não pega piolho-de-cobra, taturana não chama sassurana e queima a pele.

Eu só queria ser inseto.

Traumas

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 |

Fabian Ciraolo
Este contato com meu passado, que eu preciso, mas não quero ter. Reviver minhas nostalgias, enfrentar meus traumas, caminhar sobre meus erros. Sei que é preciso reencontrar o trauma para enfrentá-lo, mas quem disse que quero me recuperar? Se vivo assim tão bem, com eles. E sem eles não sei me orientar.

Quando acordo vejo meus sonhos projetados na parede, ruborizo-me reconhecendo ali meus desejos mais íntimos, meus traumas, minhas verdades que escondo. E sinceramente, não tenho a menor vontade de mudar nada, não quero realizar meus desejos, superar meus traumas, abrir-me.

Melhor assim, como já me acostumei a ser.

Desorganizar o passado

domingo, 1 de abril de 2012 |

Limpar o guarda-roupas é um exercício físico, mais que isso um exercício terapêutico. É preciso encarar o passado, não se pode fazê-lo em dia de chuva ou tpm. Começamos da organização, é preciso separar as pequenas coisas em caixinhas, algumas cartas e fotos serão abandonadas, mas não sem antes serem relidas e é aí que mora o perigo.

Admiro quem abre o armário, a cômoda ou o guarda-roupas tira tudo de dentro, organiza por cor, tipo, modelo, importância em cabides, gavetas e caixas e volta pro lugar certo. Eu tiro cada gaveta pro vez, leio, releio, admiro, lembro choro, rio, apego e desapego a cada poeira que encontro. Redescubro nomes riscados no fundo da madeira, meu Kimono de judô, uma roupa esquecida no fundo da gaveta, uma blusa assinada por amigos, uma carta do namorado da quarta série, um adesivo do ídolo da adolescência e por fim desisto.

É impossível não me descompor ante todo meu passado, presente e futuro guardado em caixas. Não posso continuar, passar a próxima gaveta, fico exausta, melancólica, dramática, saudosista, nostálgica. Quero telefonar, visitar, mandar e-mail, visitar perfil. Quero voltar aos amigos de antes, às bebidas de antes. Não lembro se era feliz assim, mas quero voltar atrás só para sê-lo dessa vez. E de repente lembro como tudo terminou, como aquele amigo era babaca, o namorado otário, a amiga falsa, o familiar inútil, o professor arrogante e não quero nada, é tudo lixo, é tudo raiva, as lágrimas amorosas começam escorrer pesadas e inundam o quarto de raiva. 

Volto tudo com ódio pra gaveta, a bagunça é maior do que era antes. Preciso contratar alguém imparcial pra arrumar essas coisas. Queria me desfazer de tanta lembrança, mas elas não saem de onde não posso tirar a poeira.

Sem Título #6

terça-feira, 10 de agosto de 2010 |

Sempre tive uma enorme dificuldade em me tornar uma pessoa amadurecida diante dos padrões da sociedade. Tudo por não achar que valeria a pena deixar a ingenuidade, coragem e facilidade de regeneração da infância para trás. Não conheço nenhuma criança triste, todas são felizes mesmo que a sua felicidade nos pareça uma tristeza encorpada em solidão. Não lembro quando, mas eu me prometi nunca ser adulto.

De vez em quando sou interrogada por essa escolha. Até discriminada - pasmem. Mas vou sendo criança até que a responsabilidade me derrote.

Dos quiuís adocicados

terça-feira, 3 de agosto de 2010 |

Não gosto de sentir, mas nasci naquele período trágico entre 22 de Junho e 21 de Julho, uma canceriana sofrível. O símbolo do meu signo é um caranguejo. Os caranguejos são crustáceos e tem o corpo protegido por uma "casca", mas por baixo são macios. Deve ser difícil conquistar um abraço meu, um beijo então é coisa pra guardar num curta-metragem. Mas por trás dessa carapaça toda sou um ser sensível, um quiuí.

Exato. Olha bem um quiuí: verde musgo e peludo. Nem aparenta ser comestível. Ao abrí-lo é a fruta mais rica em vitamina C, tem um gosto bom que termina em uma picada azeda na garganta. É difícil ter coragem para abrir o primeiro, depois de conhecer seu interior desfaz-se todos os mitos.

Assim sou.

Voltando ao ponto do qual o texto não devia ter saído: não gosto de sentir. Não gosto por que não entendo bem o que são os sentimentos. A gente escolhe pessoas, coisas, músicas, lugares, sabores, tons e no fundo nossa vida é igual à de quem escolheu tudo diferente. Sofremos ao ouvir um "não" e damos o nosso segundos depois.

Trocaria todos meus sentimentos por uma boa noite de sono. Uma noite infinita, que nunca acabasse. Nunca.

Egocentrismo é crime ou pecado? (2)

quarta-feira, 30 de junho de 2010 |



Sou canceriana. O signo do caranguejo. Do tipo que só sai da concha para morar em você, ou ser seu abrigo. Também sou um pulo depois do gol. Ou um filme depois do almoço. Sou aquele texto bagunçado que pode te despertar atenção. Aquela atenção que te tira a concentração. Às vezes não sou nada. Sou o universo cheio de estrelas e sem nenhum sentido, as explosões de bilhões de anos atrás caindo no céu pra fazer um pedido. Pela manhã sou uma caneca cheia de toddy, pela noite sou uma mamadeira cheia de tédio. Aposto corrida com meu cachorro até o poste, aposto placar de jogo e perco. Também me aposto, me oposto. Sempre que sorrio engulo uma palavra que não tenho coragem de dizer. Sempre que choro... ah quando choro! Não queira (vi)ver.