Eu pensava que eu era um passarinho. Eu tentei voar várias vezes, já quebrei todos ossos possíveis. Eu ficava muito chateado de não conseguir voar, todos meus irmãos passarinhos já tinham voado, eu queria migrar com eles, mas eu nem podia voar, eu era muito frustrado, coloquei minhoca na boca de tanto irmão passarinho já, aí por fim eu fiquei com raiva e comia as minhocas sozinho, não dividia.
Aí esse médico me curou, foi bom por que eu não me machuco mais, mas eu continuo sem lembrar nada sobre o meu passado, eu não ninguém, nem um homem, nem um pássaro e continuo querendo migrar.
Homem-pássaro
sexta-feira, 20 de maio de 2016 Postado por admin às 09:28 | Marcadores: desconexos, microcontos, textosA menina volta a me questionar
domingo, 3 de abril de 2016 Postado por admin às 16:43 | Marcadores: desconexosA criança: mas como você decide se gosta ou não de alguma coisa?
Eu: decidindo se você acha aquilo bom ou ruim, certo ou errado.
A criança: então você tá dizendo que eu não posso achar ruim e errado, e mesmo assim gostar?
Dois minutos de silêncio. É que eu não posso responder a verdade.
Eu: Não. É uma espécie de ditadura do gostar.
A criança: e o que é ditadura? É mais dura que quebra-queixo?
Antes eu pensava, que se o céu desabasse as montanhas iam segurar, mas agora eu penso diferente: se as montanhas desabam, quem segura o céu? Quem segura as montanhas? E se o chão se abre? Mas já vem tu, com esta história de que o céu não desaba, que ele tá muito longe, e nós que estamos nele. Ideia de doido. Essas fotos de fora da terra que tu coleciona. O mais engraçado, é que em nenhuma delas aparece Deus, se tuas fotos são do céu, cadê Deus, os anjos e os mortos?
dor
terça-feira, 4 de agosto de 2015 Postado por admin às 01:07 | Marcadores: desconexos, madrugada, PoemasDoeu tanto
que dormiu
e sonhou profundo
com desesquecimentos
tudo em branco e negro
evidenciando a linha
da inverdade, da memória
acordou chorando
num quarto colorido
sem sombras pra fantasiar
a dor que ainda doía
"verbos loucos
a vida de cada um é poucos
eu sempre tô na média
a vida quando não é drama é comédia
e de rimas fáceis
narro meu presente
meu passado é minha base
e o futuro é esse tempo sempre ausente" (Mc P.H. - mais uma do diário dele)
só quando sozinha eu tenho coragem de ser eu
Como morrem os bichos de luz
segunda-feira, 27 de julho de 2015 Postado por admin às 00:58 | Marcadores: desconexos, madrugada, memórias, sonhos, textos![]() |
| Ultimo quadro de Mark Rothko antes de morrer. (1969) |
![]() |
| Outra vez apareceu o bichinho de luz, fui piedosa mais uma vez, ele não estava machucado. |
Este coração, que aqui pulsa em hertz
ativando cada bit deste corpo
e matemático, como a natureza
vai se agrupando em octetos
(como os elétrons de um átomo estável)
e formam meus bytes
que arranhados pela agulha de meus discos rígidos
vão armazenando cada noção de contato
que plugam meus dedos,
como usb's,
de ativação instantânea,
transmitindo energia, informação,
música e alguma outra coisa
pra lá e pra cá,
modificando constantemente
essa minha velha placa ATX
que substituindo as peças
já cambia informação
sem fio algum
além das ondas invisíveis,
que rapidamente,
meus leds
expulsam em lágrimas
novamente decodificadas em bits
e aí chegam
aos teus olhos
tão acostumados a ler poemas,
ou filmes
com toda essa máquina hum@notecnologica
como se eu, meus dedos, meus bits e os teus
fossem tudo a mesma grande máquina.
Assopradores de chuva
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015 Postado por admin às 20:31 | Marcadores: crônicas, desconexos, textosamanhecendo
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 Postado por admin às 05:23 | Marcadores: desconexos, madrugada, PoemasNe-nhu-ma vontade de amanhecer
o céu demorando a clarear
quando já havia anunciado o Sol o canto do galo
e os pássaros já avivavam as horas da manhã
Nenhuma vontade de aparecer
senti o Sol se espreguiçando
e enrolando para iluminar
Será, mesmo, que esta madrugada não tem manhã?
8-11-2
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015 Postado por admin às 21:52 | Marcadores: desconexos, Impublicado, madrugada, memórias, Poemasou o oitavo onze do dois
E cada Fevereiro
não seria mais doce como outros fevereiros
até chegar Janeiro
e contabilizar um ano triunfado mais
estranho seria tentar explicar
como a notícia ia envelhecendo
quase olvidando o amargor inicial
que havia, em seu momento, chupado todos sorrisos de minha boca
Quantas promessas aos prantos eu fiz
de não esquecer nenhum detalhe
até passarem muitos anos
e encontrar
embolado a outros pequenos objetos
algo que não era meu
e nem poderia devolver
Muda, resignada
chorei por distração
a dor da dor que passou
a lembranças falsas que aquela ida me deixou
aos poucos as lágrimas trouxeram os soluços
e retrocedi até ali
sem ter certeza
do que era verdade e o que eu havia inventado
pra tentar esquecer as mentiras que ouvi
da infância internada
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015 Postado por admin às 03:20 | Marcadores: desconexos, madrugada, Poemas, sonhosDe olhos abertos
não vemos quase nada
dizia vovô
e todos nós
andando devagar
com venda nos olhos
reconhecendo as texturas
os cheiros
as posições das coisas
E repetia
- mais da metade do mundo,
está dentro de vocês,
nem adianta buscar aqui fora
Esbravejava que não tivéssemos medo
de anjos, nem de demônios,
que não poupássemos o fogo do dragão que levávamos dentro
fizéssemos visitas regulares às cores
olhássemos dentro dos olhos dos animais
dos humanos
e do espelho
o medo haveria de nos levar a lugares sombrios, úmedos
e a coragem à qualquer lugar que quiséssemos
mas sempre que olhássemos pra dentro
pois o mundo lá fora, era terrível
a ele temeríamos
e tirávamos as vendas, arrepiados.
![]() |
| Puppet Pendulum - Eva Švankmajerová |
as pernas abertas
ali no alto da montanha
de um jeito estranho
como se o mundo saisse
das minhas entranhas
o vento era meu
o mar inteiro era meu
não tinha nada que não fosse meu
Lílian mãe de Gaia
e bastou cruzar as pernas
para descer do pedestal
e voltar a não se ninguém
naquela imensidão
inspirações improváveis
porque é vergonhoso aprender quando todo mundo sabe
e deveria ser delicioso
isto não é um poema, é como vêm os pensamentos
como se filmar o olhar fosse possível sem um cérebro câmera
se pudesse registrar todo pensamento
como seria?
nem palavras, nem imagens, às vezes sentimentos, sensações...
de que merda é feita o pensar?
outro dia pensava em bebidas que não tomo
resultado de porres memoráveis
não bebo por pensar racionalmente sobre a questão, a verdade é que simplesmente não tenho vontades, como se o nojo se instaurasse no dna
toda memória devia ser assim, transformada em emoção, repulsa ou receio, afeto ou sei lá
mas temos essa memória imagética, afetiva, conversamos, dialogamos dentro do próprio pensamento
e podemos digitar o que pensamos tão rápido, como se fosse fácil traduzir o que diz o cérebro
ha
escravos de nós mesmos
quando não aprendemos tudo de novo
todos os dias
papel de pão
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014 Postado por admin às 02:42 | Marcadores: desconexos, Impublicado, madrugada, Poemascomoveromundo
como ver o mundo
com o ver o mundo
comover o mundo
depois do abraço, sempre vem uma despedida verbal
Exagerada
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013 Postado por admin às 19:22 | Marcadores: desconexos, microcontosVivendo exageradamente e sobrevivendo ao caos.
Quando o nada
segunda-feira, 26 de novembro de 2012 Postado por admin às 20:18 | Marcadores: biografia, desconexos, textos| Lílian Alcântara, 2012 |
Sexta-feira
sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Postado por admin às 20:49 | Marcadores: desconexos, textos
Sexta-feira, tudo igual.
O ar ainda está pesado, as lembranças dançam um ritmo torto na cabeça, nada ocupa a mente. Desce uma cachaça pelo peito, que não mata a saudade. Nenhum filme pausa meu olhar, nenhuma música que eleve meus pensamentos.
Penso em algo, não sei em que.
Mordiscando o interior da boca faço afta, abro uma ferida com tanta facilidade, sempre fui boa em abrir feridas, feridas antigas, feridas novas, inesperadas. Também sou boa em remendar, colocar band-aid e dizer que já passou. E olha, ainda que meu inconsciente não cicatrize, eu juro que o consciente sabe muito bem o que é esquecer. Olvidar.
Sexta-feira, tudo normal.
Por aqui pastel, cerveja e guaraná. Minhas pernas balançam no ritmo da ansiedade, da saudade, do velho amor. Amor, quanto tabu pra mesma palavra, quantos níveis, talvez eu só ame a mim mesma. E às cicatrizes da minha boca.
será que alguém já registrou, em cartório, uma tv como membro da família?
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será que já tentaram dar utilidade comercial, industrial ou energética à chuva ácida?
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será que vai chover?



