Amores perros

domingo, 6 de novembro de 2011 |

Não é sobre Almodóvar. É sobre aqueles amores bem, bem vagabundos de conhaques falsificados em bares de copo sujo. Me encantam!

Já tive todo tipo de história amorosa que mereci. Das mais românticas às menos sentimentais possíveis. Não tenho uma história preferida, gosto de todas como se fossem bons filmes e não pedaços da minha vida. Mas hoje estava ouvindo Cazuza e não pude evitar:

"Paixão cruel desenfreada, te trago mil rosas roubadas, pra desculpar minhas mentiras, minhas mancadas. Exagerado, jogado ao teus pés eu sou mesmo um exagerado, adoro um amor inventado."

Tive saudades do meu "amor inventado" e exageradíssimo. Era destes caras que você conhece tomando cerveja quente e aceita o convite pra um trago, mas você nem fuma. O bar fecha e vocês resolvem andar pela cidade, são parados por um bêbado que pergunta se são namorados, pede para ver um beijo, vocês se beijam e o bêbado fala "eu acredito no amor de vocês".

Se o bêbado acredita no nosso amor inventado, quem somos nós para não acreditar. Durou quatro meses e eu só fui saber o nome dele no terceiro, e nunca tinha me dado conta. Nunca nos fizemos juras de amor eterno, nem mesmo de amor instantâneo, algo era absurdamente exagerado quando estávamos juntos, não cobrávamos nada, só nos declarávamos como se fossemos os primeiros e últimos apaixonados da Terra.

Ele me confessava outros amores e eu (ai Cazuza!) quando perguntada pelos meus só cantarolava "se eu te escondo a verdade é pra te proteger da solidão". E assim passamos quatro meses seguidos, vivendo algo próximo do amor livre, tomando vinho barato, conhaque falsificado e fumando cigarros caros. Às vezes nos encontrávamos nas festas, cada um com outro par, e nos escondíamos num canto qualquer sozinhos, exagerados outra vez.

Em suma passamos acreditar no amor que o outro não sentia, sem sentir nada em troca. Até que descobrimos que " nosso amor a gente inventa, pra se distrair e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu". As pequenas histórias são mais intensas e menos problemáticas.

Às vezes faz falta ir a um bar sujo.

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