Quando eu tinha 12 anos tinha acabado de trocar de colégio, por isso quase não tinha amigos e como sempre apreciei a solidão não fazia questão de cativá-los. Por isso me sobrava muito tempo depois da aula para atravessar o jardim observando as longas palmeiras que nos compete dar o codinome de "Cidade das Palmeiras", ou assim gostamos de acreditar que somos conhecidos.
Para quem não é caratinguense informo que a principal praça da cidade Praça Cesário Alvim, mais conhecida obviamente como praça das palmeiras, é rodeado por longuíssimas árvores Roystonea oleracea que competem tamanho com um prédio de 15 andares que as acerca.
O fato é que minha escola fica à margem norte do jardim, eu precisava atravessá-lo até o lado sul para tomar o ônibus de volta para casa. Fazia-o com calma, como já narrei, e sempre observando a altura das gloriosas palmeiras e curiosa porque não as via fazer sombra, na verdade nunca vi sombra daquelas palmeiras. Tinha vertigem de vê-las lá em cima suas folhas: as verdes e as já secas, penduradas, ameaçando minha cabeça.
Eu era grande quando estava distante e podia observar o topo das mesmas sem doer o pescoço e ia diminuindo a medida que me aproximava. Num sistema métrico distinto, baseado no Teorema de Pitágoras eu era grande e pequena todos os dias. E assim expliquei, em uma prova, a relação trigonométrica entre hipotenusa e cateto adjacente.
Ontem, ao caminhar pela praça notei que eu agora podia me aproximar uns 5 metros a mais das palmeiras sem curvar os olhos aos céus e ainda via o topo das ditas cujas. Continuo grande mesmo me aproximando dos monstros imperiais.
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