Mais que acreditar naquela máxima que diz que "amor e ódio são mais próximos que opostos" eu vivo isso, dedico meus dias à teoria.
Quando criança tive um sonho que um cara estuprava uma mulher com o cano de arma e depois atirava, sim, atirava lá dentro. E quando fui pela primeira vez à psicóloga contei sobre o sonho que vinha repetindo-se por mais de uma semana, conclui mais ou menos assim: aquele homem amava tanto aquela mulher que não suportava imaginá-la com outro, nem mesmo se ele fosse o outro, ele e o cano de sua arma, por isso ele a matou.
Não voltei a nenhuma sessão depois de falar isso. Portanto não sei se encontrar similitudes entre ódio e amor tem cura.
Lembro como fiquei apaixonada por Ata-me do Almodóvar. Não tinha mocinho nem bandido, o apaixonado era louco, rapta a mulher - que também não é muito sã - e lhe ensina amá-lo. Os dias de confinamento daquela película são geniais. Faltou só a cena de sexo com o cano da arma.
Acredito mesmo que as maiores histórias de amor terminam em assassinato e ou em suicídio. Há uns 3 ou 4 anos morreram uns 5 ou 6 casais na minha cidade, ele que matava ela e o amante e se matava depois. Ou ele que matava ela e se matava junto. Ou amante que matava marido e a dama. As vizinhas ficavam horrorizadas e eu apenas sentava sozinha no quarto e escrevia uma possível história daquele romance de final trágico.
O que mais lembro ocorreu com o amigo de um amigo meu. O tal amigo chegou num show deu um tiro nas costas da menina, no cara que estava ao lado e na própria cabeça. Somente no último tiro foi que a multidão percebeu e se afastou dos três deixando atraindo atenção durante a festa. Escrevi um parágrafo:
"Garoto simpático de sobrancelhas fortes, menina bonita de ares libertários, amigo sensível de semblante tenro. Não eram triangulo amoroso, nem casal mais havia. Mas ninguém pode negar que a possessividade e o suicídio não sejam partes do amor. Era amor."
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