Como lidar com gente folgada

quarta-feira, 30 de maio de 2012 |

Se tem uma coisa que eu gosto é de "gente folgada". Morei num alojamento estudantil, desses que cai um copo no seu quarto e o vizinho começa esmurrar a parede pedindo silêncio pra estudar, estes que o  corredor tem o incomparável cheiro de Pinho Sol, com marijuana, incenso de canela e feijão cozido. Desses, que pelo fim da tarde é possível ouvir Michel Teló ao fundo, Beatles na terceira porta, Bob Marley na virada e Falamansa nas escadas.

Eu nunca entendi muito bem porque eu tenho que compartilhar os bons momentos da vida, enquanto comentar os maus é falta de educação e "meus problemas não são maiores que os seus". Porque olha, outro dia fui contar como estava entediada com minha vida e ouvi uma bufada irônica seguida de uma desculpa qualquer pra não ouvirem minha história. Aí lembrei como essa mesma pessoa era tão disponível pra me ouvir nos pós-festas, como queria saber com quem eu saí, com quem voltei, o que fizemos, o que tomamos, quem vomitou e quem pegou quem. Porque né, tem coisa que dá gosto saber, tem coisa que não.

Isso tudo nessa moradia que citei. Quando eu ia lavar o banheiro ou tirar todos móveis do quarto pra encerar o chão, nem procurava ninguém afinal "cada um tem seu quarto pra cuidar". Mas quando comprava cerveja tinha que lembrar de todo mundo, não que eu fosse convidada pra beber em todos os quartos, mas se eu bebesse sozinha e por acaso aparecesse um vizinho pra me visitar já soltavam logo um rancoroso "nossa, compra cerveja e nem convida".

Sempre fiquei confusa, aí uma vez fiz o seguinte... liguei pra todo mundo e convidei pra faxinar o quarto. Mas na verdade era pra beber. Ninguém apareceu o dia inteiro e bebi sozinha, sem dores no coração, sem peso na consciência. 

1 comentários:

Pirro disse...

Sua Crônica exala um humor bastante leve e solto. No vida cotidiana, todos os assuntos são dignos de serem escritos, mas questão relevante é como se escreve um narrativa diária seja interessante e atrativa no primeiro ato da leitura. Isso você conseguiu facilmente.
Abraço,
Pirro.