Dizem que é o sexo frágil, mas a fragilidade não pertence às mulheres que esperam ansiosas pelo marido voltar da guerra e ser condecorado com uma medalha que não põe comida na mesa, também não é de fragilidade que se compõe a dor do parto. Colocar uma pessoa no mundo é tão dolorido porque não pode ser simples colocar uma vida, uma pessoa, um ser cheio de ideias no mundo. E é por isso que expulsamos primeiro a cabeça, já não suportamos nossas ideias, quanto mais as ideias puras e sem comprometimentos desse serzinho que chamamos de filho.
E todas as lágrimas que seguramos viram sangue. E é por isso que menstruamos. Choramos por baixo. E assim como bons machões que engolem o choro na fila pro ônibus, tapam os olhos com as páginas abertas do jornal de ontem, nós escondemos nossas lágrimas sangrentas. Cruzamos as pernas quando há vazamento, verificamos a todo instante se não estamos "sujas", não queremos que descubram que não aguentamos a dor do parto, da guerra e de ver nossos maridos escondendo olhares no ônibus.
Às vezes estamos num local público e lembramos do absorvente, nosso lenço de rosto, amiguinho inseparável e fazemos cálculos ligeiros pra saber se é preciso ir ao banheiro ou não. Ela só vem amanhã, mas é preciso verificar e isso quer dizer atravessar o salão inteiro, sabendo que pode ter uma marca enorme na bunda. É preciso calcular novamente, talvez só venha semana que vem. E é nessa hora que perguntamos:
_ Amor, quando mesmo fomos à praia?
E eles, do sexo forte, já descontrolam.
_ Não me venha com gravidez, Eduarda. Você estava tomando a pílula, eu lembro bem que tomou todos os dias.
As contas estavam erradas, é pra semana que vem. Algumas datas eles sabem.
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