Os Fios da Energia

sexta-feira, 6 de março de 2015 |


OS FIOS DA ENERGIA




_ Eu, sinceramente, não acreditei quando vi aqueles meninos se desmanchando de dar risadas. Também pudera, aquele senhor queria de todas as formas que eles acreditassem que, há algum tempo atrás, a energia elétrica era conduzida por cabos, que ficavam atados em postes de cimento e que um dia foram de madeira, as ruas eram todas trançadas de fios de luz, olha só o nome, e as lâmpadas que ficavam nestes postes até esquentavam e eles não sabiam que era devido ao uso incorreto, até o Sr. Lalá sabia disso, ou achava engraçado.(Falo dele mais tarde). Esta energia era medida por um aparelho que o consumidor não tinha acesso e jamais o conheceu e ainda tinha que pagar pelo seu consumo, num documento confeccionado em papel, que com certeza um dia deixaria de existir. O pior de tudo eram as perguntas feitas pelo “ Bosta”.
_ Por acaso eles não sabiam ser evoluídos?
_ Antenas de televisão ficavam em cima das casas e recebiam imagens, muitas vezes eu vi pessoas girando-as procurando capturar as imagens como que se elas fisicamente passassem em alta velocidade, e às vezes até conseguiam. Depois veio a TV a cabo, as imagens eram transmitidas por cabos, da torre principal até as residências. E o pessoal fazendo uso do citado telefone chamavam os funcionários da transmissora a todos instantes para vir corrigir a tal imagem que ali nem sempre chegavam de forma satisfatória, eu sabia que um dias eles iriam cansar, e modificar, afinal, estava tudo ultrapassado.
_ Mas como a imagem era transmitida dentro dos cabos? Eles por acaso tinham buraquinhos e a imagem era de forma física?
_ Claro que não “Bosta”, presta atenção.
_ Telefone, uma peça que se colocava no ouvido, e ouvia a voz de outra pessoa a distancia, mas sem imagens, mas era verdade. Sei que ninguém vai acreditar, mas naquela época imagens pareciam não ter o menor valor, mudaram de ideia quando consultaram a linguagem usada pelos surdos, pois estes sim desconheciam o som, porém eram perfeitos no uso da imagem para comunicação.
Talão de cheque, um momento, deixa me explicar senão ninguém acredita, era de verdade um bloquinho de papel muito bem ornamentado, fornecido pelos bancos, preenchido pela pessoa e tinha valor de dinheiro, você comprava mercadorias valiosas através deles e pagava contas, era um documento confiável, como eu disse, era. Até que evoluíram e foram criados os caixas eletrônicos, aí complicou ainda mais, caixa eletrônico que nada, o dinheiro era o tal papel isto se não fosse metálico, os recibos papel, as senhas eram digitada com as mãos.
_ Ai meu Deus do céu, com as mãos, aí também é demais.
_ “Bosta” você é burro demais, nenhum instrumento da época, recebia mensagem de voz e nem faziam leitura de pensamento, para o seu bem.
_ Eu queria falar sobre o radio, mas você não é obrigado a me ouvir, ainda mais que nunca o ouviu.
_ Rádio, eu sei, é um elemento químico.
_ Claro que não “Bosta”, depois eu vou explicar, mas foi um condutor de som sem imagem.
_ Quanto aos carros, assim eram chamados, “Bosta”, se você rir eu paro de falar. Eram de uma aparência estranha, cores infinitas, modelos diferenciados, pequeninos com duas portas, micros com quatro portas e pesavam toneladas, e o mais engraçado era os grandes com capacidade para mais de quarenta pessoas, acredite se quiser, com uma única porta, ninguém sabe, porque até hoje.
_ E nem vai saber.
_ A energia que eles consumiam, era líquida e com um tremendo mau cheiro, não se assuste não, mas pegava fogo.
_ Credo.
_ Cala a sua boca “Bosta” se não vou parar de contar.
_ Dentistas, prestem atenção, eram chamados de doutores.
_ O que estas coisas faziam?
_ Deixavam as crianças nascerem, crescerem e tempo depois, tratavam de seus dentes.
_ Tratavam como, eles adoeciam?
_ Nem sempre, muitas das vezes, inventavam deficiência nos dentes dos outros, com o propósito de lucrar materialmente, este material era chamado de dinheiro, era uma moeda de troca, depois eu falo sobre isto, não é importante.
_ Conta sobre o tratamento de dentes.
_ Primeiro eles faziam campanhas com escovas de dentes, cremes dentais, como não conseguiam resolver muita coisa, eles colocavam astes de aço, borrachinhas, freios um monte de coisa na boca dos outros, mas quando não tinham defeitos, eles o corroíam com uma broca, e faziam a reposição do material retirado, por resinas, platina, prata e até ouro.
_ Sinceramente você quer que a gente acredite?
_ Cala a boca “Bosta”, você também não acredita em nada.
_ Você tem que entender uma coisa, eles ainda não tinham o que temos hoje, pois, um ser humano é programado para nascer, já sabemos hoje antes da concepção no laboratório, a altura, cor dos olhos, cabelos, e principalmente a arcádia dentária já está pré definida e jamais vai necessitar de correção.
_ Por que eles sempre procuravam o caminho mais difícil?
_ Caminho mais difícil “Bosta” é estória que um tal lobo mau, ensinou para o chapeuzinho vermelho, mais sobre isto eu nunca vou falar.
_ Se você não quer falar, deixa me calar, deve ser aterrorizante. Agora me explica a última coisa sobre os dentistas, já que os serem humanos precisavam de tantos cuidados com os dentes, e mesmo assim não resolvia nada? Pelo amor de Deus me explica por que os animais daquela época, que nunca escovaram dentes, desconheciam os cremes dentais, não tinham na floresta, um animal dentista?
_ Bem vamos falar de outra coisa.
_ Ah, eu acho que ele não sabe me responder.
_ Agora vou falar sobre os médicos, naquela época existiam, pessoas que estudavam para cuidar da saúde dos outros. A pessoa doente procurava um médico, para fazer exames consultas, tomar seus remédios, sempre visando estar saudável.
_ Como eles examinavam as pessoas, somente com um aparelhinho para escutar as doenças?
_ Claro que não “Bosta” eles olhavam a garganta e escreviam no papel, só isto e pronto.
_ Fala que está falando mentira, fala?
_ Não, os médicos através de medicamentos aplicados nos pacientes, curavam as doenças.
_ Por que nos pacientes? E nos não tinham paciência?
_ Oh “Bosta” pelo amor de Deus, paciente é o mesmo que doente, não me interrompa.
_ Quem inventava as doenças e os remédios, e com que finalidade?
_ Ah deve ser por causa do tal dinheiro ou moeda sei lá.
_ Eu só não acredito que os médicos injetavam remédios nas pessoas, cortavam partes do corpo isto não.
_ Você não acredita em nada mesmo “Bosta”.
_ Olha os médicos as vezes tinham que fazer cirurgias abrindo as pessoas, para entrar em contato de forma direta com determinadas doenças ou deficiências físicas ou órgãos danificados.
_ Por que eles não sabiam destruí-las de outra forma?
_ Bem depois, surgiu o Raio X, o Raio laser, este sim por um período, substituiu o trabalho dos médicos de abrir as pessoas, mais isto foi no passado. O mais incrível é que em casos de acidentes, uma pessoa que danificava ou perdia um membro, ou órgão este era reposto de uma outra pessoa, isto até tinha um nome “Transplante”.
_ Credo!
_ Burro ainda não existia, uma forma de regeneração como hoje.
_ Ah meu Deus, e nem tinha peças de reposição, não tinha coração, pulmão, fígado, braços pernas, feitas em laboratórios?
_ Eu vou falar de outras coisas um outro dia, uma outra hora, talvez até em outro lugar, porque a Lívia disse que se eu tivesse estudado eu iria muito longe, mas eu não quero ir longe o que eu quero mesmo é ficar aqui bem perto.




Junho/2007


Pedrinho


primeiro capítulo de um livro interminado, escrito pelo meu pai, Pedro J. De Alcântara

0 comentários: