Outro dia encontrei uma carta que me obrigou refletir sobre minhas personagens base. Antes do trio Aaron, Julia e Bruno - nesta ordem de idade - nasceram outros. Estes outros estão todos mortos agora, é que a vida de personagens são mais curtas que de humanos, só os clássicos é que resistem às poeiras seculares. Os meus morrem na troca de estação.
O meu mundo ilusório, em que vivem os seres que me sufocam pela madrugada afora, as personagens; é dotado de uma escassez feminina. Houve Gabriela, a personagem mais fantástica que alguém já criou, mas era tão fantástica que - aconselhada por Urano, pai de Zeus - engoli-a e deixei que meu suco gástrico decidisse o que dela faria parte de mim e o que seria esquecido.
Gastei um tempo cultivando Alice, mas infelizmente publicá-la seria meu suicídio blogal. Fiquei sem nenhuma personagem fixa, o que foi muito bom pra que meus textos rumassem pra outros sentidos (futebol e memórias) e eu finalmente começasse aprender escrever, meu Mobral particular.
Já gastei três parágrafos e não comecei Julia. Pois escrevi três anos sem nem pensar em Julia, relaxa. Até que me deparei com uma conversa atípica, escolhendo nome para futuros filhos e filhas, a lista de nomes masculinos em minha mente era 'kilométrica" mas eu não podia encontrar nenhum nome feminino que agradasse, via MSN alguém soprou: Julia.
Simplesmente gostei do nome. Sim, simplesmente. Tudo me agradava, o som, o tamanho, a simplicidade e o ditongo. Era bonitinho e pronto, ninguém podia discutir mais. Se antes eu não queria ter filha agora queria, só pra chamar Julia. Um, dois, três dias e conheço uma criança com que nome? Julia. Eu queria estudar a coitada, e ela deixava.
Com um ou dois anos a menininha era linda, dava vontade de levar pra casa, mas era irônica, sabia as verdades e tinha uma mente bastante adulta, mais que a minha (grandes coisas). Suguei tanta informação da pequena "Julinha", que recusava ser chamada de "Julinha" "porque meu nome é Julia, não é Julinha, não sabia?" que estou escrevendo sobre ela até hoje.
É estranho tropeçar com ela em algumas ocasiões, a menina já não é minha personagem, que já não é a menina. Minha personagem, agora adulta, é cheia de masoquismos sentimentais e a pequena é sadista. Depois de explicar a situação para o menino-católico-do-email-grandão (Bruno de Abreu) é que me dei conta que eu não tinha criatividade, sempre Julia, sempre Júlia, tava na hora de mudar. Mudei, agora era Julia. Quando Alice Sant'anna fez aquele poema com Aaron e Julie decidi não engolir mais ninguém, e estão ai até hoje, arquivados em blogs, flogs, janelas de msn e arquivos de word.
Sorry, eu precisava anotar isto pro meu biógrafo encontrar quando chegar nesta parte.
P.S: Júlia e Julia são duas personagens diferentes, mas eu esqueço qual é qual e misturo tudo.
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Em outros sites:
- No Blog do Cruzeirense saiu mais um: "Libertadores 2008: O Carrasco"
- No meu novo blog (novo blog? não é deja vu) já publiquei 3 textos sobre a história do futebol, sobretudo o brasileiro e amanhã sai o quarto e último da sequência.
Lilian alc a subpersonagem de mim mesma voltou. (Isto apareceu escrito, com minha antiga letra, no fim da agenda deste ano. Achei importante que vocês também soubessem).
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