O que é que este samba tem?

quarta-feira, 5 de maio de 2010 |

(Flor e Cultura - Viçosa, Abril de 2009)

Toda aquela percussão. E o sorriso de quem toca. Rodinhas vão formando no salão, cinco pessoas formam uma roda e uma sexta samba no meio. De lado a cerveja sobre a mesa, que já não é de ninguém. 
_ Meu copo é teu, e também é meu teu beijo, teu sorriso. 

Não sei que energia me conduz. Se não sabia o refrão logo aprendi. Se fosse um ritual religioso eu diria que um espírito baixou em mim. É que já não sei a diferença das cores, do compasso do pé. E o que me faz sambar, o que é que é? 

Sorrisos se esticam em todas as bocas do salão, os olhos brilham e os braços levantam, com o indicador apontado para o céu. As letras, ao contrário de todas as outras músicas, me fazem esquecer os problemas e pensar em por que não ser feliz? 

Dois ou três mulatos perambulam pelo salão. Com seus passos tipicamente africanos tiram uma a uma todas as moças pra dançar, as que não queriam e não sabiam também sambam. É indiscutível que os negros de pele e coração têm mais mobilidade nos quadris e nos pés. Mas no samba todo mundo é negro e por isto é possível ser tão feliz. 

Um Cartola, agora um Caymmi, por favor. Uma moça sobe ao palco desviando todos nossos olhares, sua voz vem de encontro aos nossos ouvidos sussurrando um Adoniran: que de tanto levar flechada do teu olhar parece até tauba de tiro ao Álvaro... 

Samba paulista, samba baiano e samba carioca é o ponto de discussão de três pessoas no centro do salão. Um diz que é tudo igual, o outro afirma que as letras e o ritmo é diferente a terceira pessoa, que sou eu, só escuta tentando esquecer tudo mais um pouco.

1 comentários:

Guga Detoni disse...

ganhei a noite com suas palavras

estou olhando seu blog também