(esta foto sou eu, embalada pra presente)
Criança não tem muito o que fazer, fica observando as coisas e tirando conclusões óbvias. Tão óbvias que não conseguimos enxergar. Aquela criança em especial me fez pensar coisas que eu nunca pensaria sozinha. Primeiro veio com a idéia de um tradutor surdo-mudo.
_ Ao invés de contratar um moço que fala inglês e português você pode contratar um que fala em sinais, ele fala em sinais com outra pessoa que fala sinais em qualquer lugar do mundo, não é?
Somente ri.
_ E as guerras? Por que tem guerra? Eu vi na minha escola que é porque duas gente quer o mesmo território, mas se uma sair de lá onde vai morar? Não pode morar todo mundo junto? Eu não vou matar meu irmão só porque quero o quarto só pra mim, eu não vou.
Minha cabeça deu um nó.
_ E também. Eu queria saber por que as pessoas mentem. Meu pai falou pra minha mãe que tava no bar, mas não é no bar que ele foi, a gente tava na casa de uma moça, por que ele não conta logo? Ela pode descobrir e brigar com ele, e se ele contar ela não vai poder brigar com ele, brigar por que ele falou a verdade?
Me rendi.
_ Não, brigar por que ele tava com uma moça.
_ Então meu papai só pode ter amigos hominhos?
_ Não sei, pergunta sua mãe.
_ Não posso, se não vou ter que contar que ele mentiu.
_ Você tá começando a entender, não?
_ O que?
Ah, deixa pra lá é só uma criança, pensei.
Ah, deixa pra lá, ela não sabe de nada, pensou.
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2 comentários:
"a inocência cruel das criacinhas
com seus comentários desconcertantes
admiram tudo
sabem que a vida é bela"
(cazuza)
adorei o post!
beijo.
Ah, essas conversas com crianças...não perco por nada.
Muito legal teu texto.
Abraço.
Magna
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