Tédio e solidão

sábado, 22 de maio de 2010 |

Sentada numa posição confortável para mim e abominável para meu fisioterapeuta já olhei o relógio 5 vezes esperando o minuto mudar, e tudo continua igual. 19:48

Leio um livro e não sinto nada, assisto um filme e não percebo que terminou, até arrisco sair de casa pra ver algo diferente, mas só vejo pessoas apressadas. Volto pra casa, volto pro computador. Resolvo melhorar meu inglês e desisto, a mente não quer sintonizar.

Física, matemática. Nada passa o tempo. Resolvo os exercícios numa velocidade incomum. Espero ansiosamente o sono chegar e cruzo os dedos na expectativa de dormir pra sempre. Não é depressão, é tédio.

Até converso com uma ou duas pessoas, que param de me responder. Também não tenho assunto. Tiro outro livro da estante e no segundo parágrafo descubro que já li. Parece que já li todos que tenho aqui. Retiro o telefone do gancho e não tenho pra quem ligar. Faço uma macarronada sem ter com quem dividir.

Talvez estivesse na hora de procurar um emprego, alguma coisa pra fazer.

Sento na sala e me ponho frente à memória. Quantos mil apertos eu passei nos meus tempos de escola. É engraçado imaginar que cara eu fazia ao cercar as professoras chorando nota de conceito pra não tirar vermelha, ou as vezes que fui mal em alguma prova e pedi pelo amor mundial que me repetissem a prova "é que eu não estava bem emocionalmente".

Como foi difícil inventar um motivo pra ir à escola naquela noite fazer uma prova de recuperação de química sem que ninguém soubesse. Tudo por conta de uma malandragem do professor! Ai, quanta raiva eu passei. E no fim de tudo ver os professores me dando nota - literalmente - pra que eu pudesse mudar de cidade com a tranquilidade da primeira aluna formada da turma. Estava tudo certo, mas tudo errado.

Houve até uma vez que precisei juntar vários amigos pra cercarem a professora no corredor à fim de que ela ouvisse minha suplica por "dois pontinhos emprestados, no bimestre que vem você me tira eles". Falando em reunir os amigos, e nossas revoluções? Camisas compradas! Bandeiras decoradas! E nunca fizemos a tal greve em busca de melhorias.

É! Chegamos a reunir outras escolas querendo derrubar uma idéia do Aécio de umas-matérias-muito-loucas. Sabiam que não tive inglês no ensino médio? Culpa do nosso governador que é um sucesso em educação. Mas tive filosofia e sociologia, sacou? Sabia que não tive Ed. Física no segundo ano? Mas tive que plantar uma árvore e vestir a camisa do PSDB! Viu que notório?

Armamos com outros movimentos estudantis. Tudo começaria com a manifestação da minha escola, na semana seguinte toda a cidade. Iriamos pra BH junto à outras escolas e cidades e POW, derrubaríamos o Aécio! Perfecto... eu ia entrar pra história, ia sim. Mas é que deu uma preguiça das idéias nonsense.

Que saudade de passar uns apertos, só pelo alívio que vem depois. Quando tá tudo em paz a guerra interior fica tão bruta, tão bruta! 

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