Idealizando...

segunda-feira, 7 de junho de 2010 |

Depois de uma noite sem pregar o olho e uma manhã no hospital, cheguei em casa exausta. Mas eu não tinha tempo pra dormir, nem o frio me seduzia ao caminho da cama. São coisas que acontecem. Às vezes é preciso largar suas horas sagradas de sono pra terminar um projeto, um texto, visitar uma pessoa, estudar ou para simplesmente saber como é estar acordado depois de dormir apenas 13 horas em 7 dias.

É um desafio poético que me propus, ou achei que o fiz para sentir-me menos obrigada. Passei pela sala e encontrei vários envelopes endereçados à mim. O banco e as universidades nunca é novidade, alguns envelopes mais pesados me esperavam concorrendo por ordem de peso qual seria aberto primeiro.

Livros que comprei, livros que ganhei e revistas. Nem se eu não dormisse nem 13 horas na próxima semana poderia ler tudo que está na fila da minha estante. São mais de 20 livros empilhados em cima da mesa, várias revistas e páginas impressas da internet, sem contar com a matéria do vestibular. Meu olho pesou de cansaço.

Primeiro encontrei duas revistas Piauí, e eu esperava só uma. Que gentileza! Depois encontrei quatro edições da Brasileiros, que eu também esperava só uma. Os livros, as Universidades e o banco que ficassem pra depois.

Abri a primeira página de uma das Piauís que percebi e descobri que não sou a única apaixonada por nuvens. E se eu achava ter fotografado as mais belas que já existiram, que inocente! Abro a Brasileiros e me redescubro. Desde que li a primeira edição fico pensando como foi trabalhada cada reportagem, aquela linguagem única.

Outro dia dei entrevista pra uma grande revista aí, falando sobre algumas "novas atividades online" e fui censurada. É que no Brasil vende-se fácil o sensacionalismo, é bem mais vantajoso publicar "internet leva adolescentes ao vício", "meninas são seduzidas pela internet e estupradas" ou "internet ajuda 68% dos brasileiros à estudar" que publicar uma entrevista ligth, prazerosa e regada à ironia como a minha.

Não estou me gabando de ter dado "a melhor entrevista do mundo", até por que eu queria mesmo é saber como editariam o que falei para transformar em entrevista. Quando abri a revista para ler e saber o que falariam de mim encontrei meu tema exposto por outras pessoas, mas sem eu. Até alguma mentira encontrei por ali. Agora fico imaginando a mesma entrevista se fosse para a Piauí ou a Brasileiros.

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