Chuva

quinta-feira, 23 de setembro de 2010 |

Acho que foi meu pai quem me mimou assim. Aprendi que chuva é feriado por natureza. Levantar num dia chuvoso é quase um pecado na religião que sigo fielmente, cujo altar é minha cama.
Resolvi andar na contra-mão de toda minha vida e levantar sob a carga d'água que me dava bom dia hoje. Antes que realmente colocasse minha decisão em prática alguém resolveu cultivar ainda mais minha preguiça e deixar na minha cama o meu café da manhã. Era uma desculpa a mais pra não levantar nunca, mas resolvi agir diferente. Na contra-mão.
Peguei meu casaco, mochila, crachá e um sorriso na estante - e eu nem mesmo tenho uma estante. Entrei no ônibus observando os grandes postes de luz na beira da avenida e pensando nos passeios de bicicleta, eu sempre na contra-mão pra ver quem vinha, ou na mão pra ser empurrada pelo vento dos caminhões.

Eu nunca estaria na contra-mão de mim mesma. Nunca poderei olhar dentro dos meus olhos. No máximo, olhar o reflexo do meu olhar no espelho. Bizarro pensar essas coisas! - cochichei em pensamentos.

E eu podia estar agora de volta ao meu ninho, sendo ninada pela chuva. Discutindo com meus amigos imaginários por "que merdas "aquele apetrecho que utilizamos para nos proteger das gotas de água chama "guarda-chuva" se ele não guarda a chuva, ele pára a chuva. ou seja, parapluie. Mas acho que isso eu já escrevi.

Gosto de deitar debaixo na marquise e olhar os pingos cairem em minha direção, e nunca me molharem. Chuva. Chuva. É tão linda, tão gelada, tão perfeita, depressiva e mágica,



2 comentários:

Alexandre Andrade disse...

Hum, que bom... voltou a escrever. Gosto quando a nostalgia te pega de jeito, pq vc anda muito preguiçosa pra escrever ultimamente, rssssssss... beijo, menina.

ítalo puccini disse...

são bons, muito bons, estes teus escritos que se entregam ao leitor. bonitos.