Formigas

domingo, 26 de setembro de 2010 |

Tédio noturno eu chamo de insônia. Segui uma formiga por toda a noite, atravessando a floresta que é o chão deste lugar.

Formigas

Sabem onde vão
levar as folhas
atravessam poças
que viram lagos,
mares
montanhas que
pra mim são pedras
revezam-se
dia e noite
tocando suas antenas
quando se encontram

não sei por que
recusam minha ajuda
pra levar a folha

qualquer luz é sol
qualquer vento é furacão
mas não desistem
em seus exoesqueletos frágeis
não dormem
não respiram
nem reclamam

formigas evitam pensar
pra não desistirem
evitam abelhas rainhas
e outros impérios
vivem em anarquismo
trabalho e buracos na terra

insetos não pecam!

2 comentários:

ítalo puccini disse...

há! que ótemo!
eu vi esse teu twitt. achei o máximo!

e daí brotou poema. lindoso!

beijos.

Sérgio Luz disse...

mas que beleza de texto! a insônia, às vezes, pode produzir tanta coisa boa.