(diário alheio, real, com pequenas alterações)
12 de Maio de 2009
Começo a madrugada ouvindo samba pra não desanimar, pra desaperceber a solidão deste quarto abafado. Na boca um estranho sabor de saúde, não bebi, não fumei, não há nada no meu sangue que me possa entorpecer. É estranho pensar tão livremente, sem a indução de narcóticos, álcool ou amigos tresloucados.
Os cachorros latem ao longo da vizinhança afugentando ladrões com sua domesticidade selvagem. O celular cheio de mensagens que não li e acendo um cigarro, vou à varanda sem camiseta tomar um ar refrescante sob a lua crescente.
Abril já se foi, Maio está pelas metades e meu aniversário se aproxima, fico aflito sem saber o que fazer com a data, se chamo os amigos, ou deixo que me chamem, se quero passar ao lado da mesma mulher ou começar o novo ano sozinho, ser um novo homem, de novos livros, novos filmes. Caminho até a prateleira pra observar as capas amareladas que carrego comigo desde os anos de faculdade, será que já passa da hora de abandoná-los?
Volto ao quarto e encontro fotos de uma vida inteira que passou e me transformou neste cara... São quatro dias sem usar nada, nem beber, fumar, injetar, trepar, cheirar, conectar... Tô me libertando dos vícios e agora resolvo deixar também este apartamento.
Preciso resumir minhas tralhas ao porta-malas de um carro, não vou mais residir senão em mim mesmo.
0 comentários:
Postar um comentário