#Sem Título

terça-feira, 26 de junho de 2012 |

Já não há linha que divida a verdade e a mentira, o ego e o alter-ego, o pensar do agir, o ser do estar, o sonho da realidade. Não há.

O que há é uma infinidade de pernilongos chupando meu sangue, fazendo "bzzz" enquanto tento dormir.

Religiosamente abro e-mails, redes sociais, fóruns, agendas, mensagens de celular, extrato bancário e tudo que vejo são propagandas enganosas. Marx estava certo, tudo é produto. As pessoas tornaram produtos de si com essa ladainha de marketing pessoal. Os protestos já não valem pela causa, mas pela foto colorida, rosto pintado e cartazes bem pintados pro álbum do Facebook.

Leio e desleio o que me escrevem, mas não há nada novo. Saio pelas ruas quase vazias da cidade cinza e desconheço rostos que me cumprimentam, busco algo novo no sorriso dos mendigos, no verde das montanhas, o cinza do asfalto. E cada vez menos tenho vontade de seguir.

No tengo ganas de seguir,
Pero tampoco tengo ganas de parar.
Tendría que pensar que me esta pasando,
Pero es que estoy cansado de pensar.
Se o almoço está frio ou quente, se sobrou carne ou alface tanto faz. Se a música parar de tocar não sou eu quem vou levantar pra virar o disco. Gritar pra que? Chorar pra que? Sorrir pra que? Nem sequer deitar, que com este colchão me dói a coluna. Queria uma boa caixa/casa destavada tipo italiana (caixa com duas caídas), visor grande, 6 alças tipo varãozinho na cor dourada, 4 chavetas, forração na caixa e tampa em tecido de primeira qualidade semi-acolchoado, travesseiro solto, babado e sobrebabado em renda, acabamento externo em verniz PU alto brilho, inteira gravada em baixo relevo, sobretampo móvel em alto relevo, cor castanha. 

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