Ode à felicidade

terça-feira, 3 de julho de 2012 |

Ando me questionando. Não sexualmente. Mas ideologicamente. Já não suporto ser quem sou e não sei se dá pra escolher ser outra coisa, mas a gente vai mudando consciente ou inconscientemente e não chega a lugar algum. A verdade é que não temos um motivo pra estarmos vivos. Não acredito em deuses, vida eterna ou reencarnação.

Li a pouco uma reflexão muito interessante, que é na verdade a verbalização do que sempre pensei: antes de nascer eu não-existia, não doía, não sentia tédio algum por isso, quando morrer voltarei a não-existir. Num período curtíssimo de tempo, 50 ou 90 anos, talvez eu existirei. É como uma anedota em toda história da minha não existência. Posso gastar isso que chamamos de "vida" fazendo o que eu quiser: sambando, amando, lutando, usando drogas, escrevendo músicas, pensando, estudando, trabalhando.

Mas a verdade é que a maioria de nós tenta se perpetuar. Tenta não ser só mais um pra fazer algum sentido,  já que não tem verdadeiro sentido que nos mova. E aí entram vias fáceis como o ¨Facebook, atualizar, postar seus feitos e ideias. "hoje comi macarronada", "olha minha foto no Chile", "eu apoio a luta pelo...". E na verdade somos só um lixo a mais na timeline alheia. Alguns curtirão ou comentarão por inércia, pra mostrar que já viu, pra dizer que achou lindo, pra mostrar pros amigos que pensa igual você. E isso nos alisa o ego: sou agora uma pensadora, com seguidores, curtidores e compartilhadores.

Criamos rotinas, paixões, amantes. Assistir filmes, escrever livros, pintar quadros, amar os animais. Ser vegetariano, lutar por direitos iguais, conseguir mais dinheiro, chegar ao poder, votar, comprar, sair, twittar, fotografar, amar, desandar, cair, pedir, implorar.

Mate, café, açaí, folha de coca. Cada um com seu estimulante pra ter forças pra vida. Quem somos? Porque decidimos assim? Comprar uma rede, colocar entre duas árvores e deixar ela balançar até morrermos de fome, sede e falta de ego. Viver numa rocinha lá no interior, não falar com ninguém, não ter ambição de deixar um escrito, uma terra boa, um filho criado. Isso de "cada um tem uma missão" é a maior balela pra nos sentirmos melhores que os previsíveis passarinhos fiando lindos linhos na "época dos ovos".

Quanto egocentrismo isso de "viver".

- Sobreviver.

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