Sexta-feira, tudo igual.
O ar ainda está pesado, as lembranças dançam um ritmo torto na cabeça, nada ocupa a mente. Desce uma cachaça pelo peito, que não mata a saudade. Nenhum filme pausa meu olhar, nenhuma música que eleve meus pensamentos.
Penso em algo, não sei em que.
Mordiscando o interior da boca faço afta, abro uma ferida com tanta facilidade, sempre fui boa em abrir feridas, feridas antigas, feridas novas, inesperadas. Também sou boa em remendar, colocar band-aid e dizer que já passou. E olha, ainda que meu inconsciente não cicatrize, eu juro que o consciente sabe muito bem o que é esquecer. Olvidar.
Sexta-feira, tudo normal.
Por aqui pastel, cerveja e guaraná. Minhas pernas balançam no ritmo da ansiedade, da saudade, do velho amor. Amor, quanto tabu pra mesma palavra, quantos níveis, talvez eu só ame a mim mesma. E às cicatrizes da minha boca.
Sexta-feira
sexta-feira, 10 de agosto de 2012 Postado por admin às 20:49 | Marcadores: desconexos, textos
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