De criança eu queria ser inseto, seguia fila de formiga, tirava o néctar com as abelhas, subia pelas paredes atrás de tatu-bola, ficava caladinha com as joaninhas, prestava atenção no tempo com louva-deus. Abaixava a cabeça lentamente pra ver o mosquito de perto, andava pela terra observando onde pisava, pra não matar ninguém. Também gostava das aranhas, da taruíras e dos gnomos de jardim.
| Foto: Lílian Alcântara, 2012. |
Subia em árvore, me trepava galhos acima pra ver os humanos lá de cima, como vemos os insetos, queria que todo mundo fosse inseto. E conversava com o bicho da goiaba, aprendi a assoviar pra chamar passarinho. Também aprendi a tocar boi, colocar comida para os carneiros, debulhar milho para galinha, tirar o ovo do ninho e colocar na lata.
De criança eu queria ser inseto, pousar em cima da água e olhar pra dentro, aprender como os peixes nadam. Descobri que a barata corre pro lado do barulho e as bruxas não saem do lugar se não são tocadas. Os pombos têm piolho, as minhocas correm pros dois lados, cobra não pega piolho-de-cobra, taturana não chama sassurana e queima a pele.
2 comentários:
Muito bom, minha ídola libertária
tá mal de ídolos hein?
Postar um comentário