Dos quiuís adocicados

terça-feira, 3 de agosto de 2010 |

Não gosto de sentir, mas nasci naquele período trágico entre 22 de Junho e 21 de Julho, uma canceriana sofrível. O símbolo do meu signo é um caranguejo. Os caranguejos são crustáceos e tem o corpo protegido por uma "casca", mas por baixo são macios. Deve ser difícil conquistar um abraço meu, um beijo então é coisa pra guardar num curta-metragem. Mas por trás dessa carapaça toda sou um ser sensível, um quiuí.

Exato. Olha bem um quiuí: verde musgo e peludo. Nem aparenta ser comestível. Ao abrí-lo é a fruta mais rica em vitamina C, tem um gosto bom que termina em uma picada azeda na garganta. É difícil ter coragem para abrir o primeiro, depois de conhecer seu interior desfaz-se todos os mitos.

Assim sou.

Voltando ao ponto do qual o texto não devia ter saído: não gosto de sentir. Não gosto por que não entendo bem o que são os sentimentos. A gente escolhe pessoas, coisas, músicas, lugares, sabores, tons e no fundo nossa vida é igual à de quem escolheu tudo diferente. Sofremos ao ouvir um "não" e damos o nosso segundos depois.

Trocaria todos meus sentimentos por uma boa noite de sono. Uma noite infinita, que nunca acabasse. Nunca.

4 comentários:

ítalo puccini disse...

quer que eu leve um café do bom aí? e espero pela lasanha vinda daí :)

quiuí,
adorei isto!

:)

Sérgio Luz disse...

texto leve como um kiwi.

Márcio Ahimsa disse...

essa textura em alto relevo é que tateia a gente por dentro... nos camuflamos de quiuí para que apenas os curiosos e teimosos provem dessa riqueza infinita de dentro... desvendar um embrulho é um ato de coragem...

Beijo Lílian, sempre muito bom apreciar essa maravilha de texto e textura por aqui.

Bruno de Abreu disse...

ah, lílian, mas sua escrita é mais feito uma manga daquelas do seu avô... dá vontade de comer só de olhar e depois ainda ficam uns fiapinhos.

a questão é o mistério dos quiuís e dos caranguejos. há pessoas que apreciam mais o haver antes a carapaça (porque sabem muito bem do que é feito o interior)