O rosto rosado, a pele branquinha, fofa, debaixo dos panos de estampas grandes, cabelo branquinho. Dona Frola era o estereótipo, vovó amada, dessas que estampam marcas de bolo hoje. Naquele dia combinava os brincos rosados, com um colar das mesmas pedras, e o estampado eram grandes flores da mesma tonalidade. Se perfumou e saiu de casa sorrindo.
Antes de chegar a esquina encontrou com Francisco, pediu que ele fosse vê-la mais tarde para combinarem de capinar o quintal, podar as flores e aproveitasse para limpar a calha e o telhado, pois parecia entupido na última chuva.
A conversa lhe fez atrasar um pouco, quando chegou ao Casarão Tildina já estava angustiada com a carta prendida no pregador, preparada para lançá-la. Com os passos curtos Frola alcançou o barbante, substituiu as cartas e gritou algumas palavras.
Caminhou até a porta da casa, esticou os braços para o sogro, mais uma vez sem entender como as mulheres de hoje tem dia passavam tanto tempo telefonando na janela. Em sua época qualquer mulher que passasse o dia posada na janela era "maria namoradeira", uma coisa horrível de se ser.
Avisou a Ponza que precisava ir ao médico, há três dias vinha tossindo muito, principalmente pela noite, acordava com a garganta seca. Soube que Tildina também está assim, vou preparar um xarope com o meu que você me trouxe, Ponza, e depois você leva um pouco para ela também.
_ Claro, dona Frola, não se preocupe, sua filha ficará bem logo. - ele não podia esconder na pressa de seus passos o nervosismo ao perceber que se atrasaria ao trabalho.
Por fim chegaram ao médico. Dr. Afonso gostava muito de dona Frola. Às vezes sua conversa era muito conservadora, mas era uma boa velhinha. Os dois conversaram por vinte minutos e riram bastante, Frola fez o pagamento da consulta na secretaria, e foi embora para a casa ler a carta de sua filha e redigir a do dia seguinte.
Queria mamãe,
Fiquei muito preocupada em ler sobre o avanço de sua tosse, espero que vá ao médico amanhã. (...)
E continuavam mais duas pautas de confissões e pedidos de conselho para a mãe. No envelope uma pequena flor de camomila, que dava em seu jardim e a mãe considerava a mais bonita das flores. Terminou a leitura e começou a redigir sua carta à maquina, talvez fosse uma Olivetti elétrica.
(...) Nunca me senti tão humilhada como aqui Tildina, estamos há meses, não desmerecemos a ninguém, não tratamos mal a nenhum deste cidadãos e por algum motivo provocamos muita curiosidade, inveja e repugnância. Nos espiam da janela, perguntam coisas desagradáveis a mim. O mendigo da praça me parece o mais entendível do lugar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário